Lógicas Institucionais na Mensuração e Gestão de Custos em Hospitais Acreditados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.51341/1984-3925_2021v24n3a6

Palavras-chave:

Custos, Gestão de custos em hospitais, Lógicas institucionais, Acreditação hospitalar

Resumo

Objetivo: analisar qual a influência das lógicas institucionais na adoção das práticas de mensuração e gestão de custos em hospitais acreditados brasileiros.

Método: utiliza como estratégia o levantamento, por meio de um questionário. A amostra compreende 85 respostas e a análise dos dados foi feita por meio da estatística descritiva e modelagem de equações estruturais.

Originalidade/Relevância: verificou-se poucos estudos surveys acerca da temática. Ainda, na literatura nacional há poucas pesquisas teórico-empíricas acerca do tema de custos, além da ausência de orientação teórica nas existentes (Ramalho, 2016), não sendo identificado estudos que abordam a contabilidade de custos sob ótica das lógicas institucionais.

Resultados: as motivações que levam a fazer a mensuração e gestão de custos estão relacionadas às questões profissionais (envolvendo qualidade e excelência do serviço prestado); de mercado (necessitando sustentabilidade financeira); burocráticos (estabelecendo padrões e protocolos); e comunidade (considerando acessibilidade e transparência). A análise estatística aponta que a lógica de mercado influencia na adoção de mais práticas de custos que as demais, seguida da lógica de comunidade.

Contribuições teóricas/metodológicas: ao considerar que as lógicas concorrentes, atuando no mesmo campo, contribuem para a gestão como um todo, atendendo a demanda por qualidade, acessibilidade e redução de custos, este estudo contribui para o entendimento sobre o que pode estar influenciando ou não a utilização das práticas de mensuração e gestão de custos, que são importantes para controle e gerenciamento dos hospitais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Abbas, K. (2001). Gestão de custos em organizações hospitalares. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil.

Abbas, K., & Leoncine, M. (2014). Cálculo dos custos dos procedimentos médicos hospitalares em hospitais brasileiros. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 11(1), 1-11.

Abbas, K., Marques, K. C. M., Tonin, J. M. F., Sasso, M., & Leoncine, M. (2015). Os métodos de custeio discutidos na literatura são os mesmos usados na prática em hospitais? ABCustos, 10(1), 73-93. https://doi.org/10.47179/abcustos.v10i1.306

Aillón, H. S. (2013). A desinstitucionalização do custeio baseado em atividades sob a ótica da nova sociologia institucional. Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Araújo, L. G. (2017). Lógicas institucionais e respostas estratégicas em organizações híbridas: o caso das empresas juniores. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

Araújo, Z. C. D. (2016). As múltiplas lógicas institucionais atuantes na atual reforma do HC UFPE. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Pernambuco, Recife, PE, Brasil.

Arndt, M., & Bigelow, B. (2006). Toward the creation of an institutional logic for the management of hospitals: efficiency in the early nineteen hundreds. Medical Care Research and Review, 63(3), 369-394. https://doi.org/10.1177/1077558706287044

Baly, O., Kletz, F., & Sardas, J. C. (2015). Designs of an organizational response to institutional complexity in healthcare: A focus group and statistical study of management control in French hospitals. Retrieved on jul 09, 2016, from https://hal-mines-paristech.archives-ouvertes.fr/hal-01127785

Bandeira, J. A. Á., & Bandeira, M. Á. (2021). Gestão Hospitalar: os desafios na implementação com qualidade. Revista Científica do UBM, 103-114.

Berry, A. J., Coad, A. F., Harris, E. P., Otley, D. T., & Stringer, C. (2009). Emerging themes in management control: a review of recente literature. The British Accounting Review, 41(1), 2-20.

Bitti, E. J. S., Aquino, A. C. B., & Cardoso, R. L. (2011). Adoção de sistemas de custos no setor público: reflexões sobre a literatura nacional veiculada em periódicos acadêmicos. Revista Universo Contábil, 7(3), 6-24.

Blanski, M. B. S. (2015). Gestão de custos como instrumento de governança pública: um modelo de custeio para os hospitais públicos do Paraná. Dissertação de mestrado, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

Blomgren, M., & Waks, C. (2015). Coping with contradictions: hybrid professionals managing institutional complexity. Journal of Professions and Organization, 2(1), 78-102. https://doi.org/10.1093/jpo/jou010

Borgert, A., Alves, R. V., & Schultz, C. A. (2010). Processo de implementação de um sistema de gestão de custos em hospital público: um estudo das variáveis intervenientes. Revista Contemporânea de Contabilidade, 7(14), 97-120.

Bossy, D., Knutsen, I. R., Rogers, A., & Foss, C. (2016). Institutional logic in self‐management support: coexistence and diversity. Health & social care in the community, 24(6), 191-200.

Cardoso, S. M., & Martins, V. F. (2012). Sistemas de custos estão presentes nos hospitais brasileiros que passaram pelo processo de acreditação hospitalar? Revista GeTeC, 1(2), 59-78.

Cardoso, A. A. B., Souza, L. M., Reis, A. O., & Palha, V. M. (2020). Gestão de custos em organizações hospitalares: sistemática por centro de custos. Semina: Ciências Sociais e Humanas, 41(1), 123-138.

Dallora, M. E. L., & Forster, A. C. (2008). A importância da gestão de custos em hospitais de ensino-considerações teóricas. Medicina (Ribeirao Preto. Online), 41(2), 135-142. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v41i2p135-142

Dunn, M. B., & Jones, C. (2010). Institutional logics and institutional pluralism: The contestation of care and science logics in medical education, 1967–2005. Administrative Science Quarterly, 55(1), 114-149. https://doi.org/10.2189/asqu.2010.55.1.114

Ferreira, V. C., & Ryngelblum, A. L. (2020). A relação entre lógicas institucionais e práticas estratégicas organizacionais: o papel da agência nacional de saúde suplementar na regulação dos reajustes do setor. Brazilian Journal of Development, 6(7), 42217-42236.

Friedland, R., & R. R. Alford. (1991). Bringing society back in: symbols, practices, and institutional contradictions. In the new institutionalism in organizational analysis, edited by W. W. Powell and P. J. DiMaggio, 232-63. Chicago: University of Chicago Press.

Friedland, R., Mohr, J. W., Roose, H., & Gardinali, P. (2014). The institutional logics of love: measuring intimate life. Theory and Society, 43(3-4), 333-370. https://doi.org/10.1007/s11186-014-9223-6

Gil, A. C. (1999). Como elaborar projetos de pesquisa. (4a Ed.) São Paulo: Atlas.

Goodrick, E., & Reay, T. (2011). Constellations of institutional logics: Changes in the professional work of pharmacists. Work and Occupations, 38(3), 372-416. https://doi.org/10.1177/0730888411406824

Gümüsay, A. A., Claus, L., & Amis, J. (2020). Engaging with grand challenges: An institutional logics perspective. Organization Theory, 1(3), 2631787720960487.

Hair, J. F., Anderson, R. E., Tatham, R. L., & Black, W. C (2009). Análise multivariada de dados. São Paulo: Bookman.

Koelewijn, W. T., Ehrenhard, M. L., Groen, A. J., & van Harten, W. H. (2012). Intra-organizacional dynamics as drivers of entrepreneurship among physicians and managers in hospitals of western countries. Social Science & Medicine, 75, 785-800. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2012.03.055

Levine, D. M., Berenson, M. L., & Stephan, D. (2000). Estatística: teoria e aplicações usando Microsoft Excel Português. São Paulo: LTC.

Lounsbury, M. (2007). A tale of two cities: competing logics and practice variation in the professionalizing of mutual funds. Academy of Management Journal, 50, 289–307. https://doi.org/10.5465/amj.2007.24634436

Marôco, J. (2010). Análise de equações estruturais: fundamentos teóricos, software e aplicações. ReportNumber: Pêro Pinheiro.

Martin, G., Bushfield, S., Siebert, S., & Howieson, B. (2021). Changing logics in healthcare and their effects on the identity motives and identity work of doctors. Organization Studies, 42(9), 1477-1499.

Martins, D. B., Portulhak, H., & Voese, S. B. (2015). Gestão de custos: um diagnóstico em hospitais universitários federais. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 12(3), 59-75. https://doi.org/10.21450/rahis.v12i3.2461

Matos, A. J. (2005). Gestão de custos hospitalares: técnicas, análises e tomada de decisão. (3a Ed.) São Paulo: editora STS.

Mercier, G., & Naro, G. (2014). Costing hospital surgery services: the method matters. PloS one, 9(5), e97290. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0097290

Nascimento, J. C. M., Gravena, A. A. F., & Machinski Junior, M. (2020). Acreditação hospitalar como ferramenta para a gestão da qualidade no brasil: características, avanços e desafios. RAHIS-Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 17(4), 1-10.

Neder, A. L. G. (2015). Melhores práticas de gestão na cadeia de suprimentos: um estudo de caso em uma rede de hospitais privados. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Neriz, L., Núñez, A., & Ramis, F. (2014). A cost management model for hospital food and nutrition in a public hospital. BMC Health Services Research, 14(1), 542. https://doi.org/10.1186/s12913-014-0542-0

Organização Nacional de Acreditação (ONA). (2017). Mapa de Acreditações. Retrieved on Oct 10, 2017, from https://www.ona.org.br/mapa-de-acreditacoes.

Organização Nacional de Acreditação (ONA). (2018). Manual das organizações prestadoras de serviços de saúde. Brasília: ONA.

Picheth, S. (2016). Lógicas institucionais e estrutura discursiva: um estudo no maternati – grupo de gestantes e mães. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil.

Popesko, B. (2013). Specifics of the activity-based costing applications in hospital management. International Journal of Collaborative Research on Internal Medicine & Public Health. 5(3), 179-186.

Ramalho, L. D. F. (2016). Estudo sobre sistemas de custos gerenciais de subsidiárias alemãs em operação no Brasil: um enfoque da nova teoria institucional. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Raynard, M. (2016). Deconstructing complexity: configurations of institutional complexity and structural hybridity. Strategic Organization, n. Special Issue, 1–26. https://doi.org/10.1177/1476127016634639

Reay, T., & Hinings, C. R. (2009). Managing the rivalry of competing institutional logics. Organization studies, 30(6), 629-652. https://doi.org/10.1177/0170840609104803

Santos, M. E., Martins, V. F., & Leal, E. A. (2013). Avaliação da gestão de custos nas entidades hospitalares: um estudo na cidade de Uberlândia MG. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 10(1), 3-17. https://doi.org/10.21450/rahis.v10i1.1771

Saraiva, M. (2006). Investigação da mensuração de custos na formação dos preços dos serviços hospitalares: um foco na diária hospitalar. Dissertação de mestrado, UNB, UFPB, UFPE, UFRN. Natal, RN.

Scott, W. R., Ruef, M., Mendel, P. J., & Caronna, C.A. (2000). Institutional change and healthcare organizations: from professional dominance to managed care. University of Chicago Press.

Silva, T. M. R. D. (2016). Lógicas institucionais e as respostas estratégicas diante da prática de acreditação hospitalar nos hospitais do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado, Universidade do Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy”, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Sousa, C. M. M. G., Gil, E. P., & Santana, L. C. (2015). Custeio por absorção como instrumento de informação gerencial no ramo hospitalar. Caderno de Administração. Revista da Faculdade de Administração da FEA, 9(1), 73-84.

Teixeira, M. G. (2012). A influência do hibridismo de lógicas institucionais no processo decisório de adoção de prática de governança corporativa: o caso Cooperativa Veiling Holambra. Tese de doutorado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR, Brasil.

Thornton, P. H., & Ocasio, W. (1999). Institutional logics and the historical contingency of power in organizations: Executive succession in the higher education publishing industry, 1958-1990 1. American Journal of Sociology, 105 (3), 801-843.

Thornton, P. H., Ocasio, W., & Lounsbury, M. (2012). The institutional logics perspective: A new approach to culture, structure, and process. Oxford University Press on Demand.

Viana, M. F., Sette, R. S., Rezende, D. C., Botelho, D., & Poles, K. (2011). Processo de acreditação: uma análise de organizações hospitalares. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 3(6),35-45. https://doi.org/10.21450/rahis.v0i6.1116

Waldorff, S. B., Reay, T., & Goodrick, E. (2013). A tale of two countries: how different of logics impact action. In Institutional logics in action, Part A, Emerald Group Publishing Limited, 99-129.

Xavier, F. J. L. J., & Rodrigues, R. A. (2012). Gerenciamento de custos hospitalares: um estudo de caso em uma instituição. Anais de Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade, São Paulo, SP, Brasil, 9.

Yereli, A. N. (2009). Activity-based costing and its application in a Turkish university hospital. AORN Journal, 89(3), 573-591. https://doi.org/10.1016/j.aorn.2008.09.002

Publicado

2021-12-30

Como Citar

da Silva, B. N., Abbas, K., & Crubellate, J. M. (2021). Lógicas Institucionais na Mensuração e Gestão de Custos em Hospitais Acreditados. Contabilidade Gestão E Governança, 24(3), 349–369. https://doi.org/10.51341/1984-3925_2021v24n3a6

Edição

Seção

Artigo científico (Seção de Gestão e Contabilidade Pública)