Comportamento do Consumidor: Comparação entre Valor Relatado e Valor Gasto com Cartão de Crédito

Autores

  • Bárbara da Silva Martins Britto Universidade de Brasília
  • Jorge Mendes de Oliveira-Castro Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília
  • Ariela Oliveira Holanda Instituto Federal do Paraná
  • Theo Linero dos Santos Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.51341/1984-3925_2018v21n3a6

Palavras-chave:

correspondência entre valor relatado e valor gasto, cartão de crédito, orçamento doméstico, comportamento do consumidor.

Resumo

O objetivo deste estudo é comparar o valor relatado e o valor gasto pelo consumidor no cartão de crédito (Estudo I) e no orçamento doméstico (Estudo II), considerando-se o relato dos participantes sobre seus gastos, o valor efetivamente gasto pelos participantes e a relação entre eles. Participaram dos estudos 22 pessoas voluntárias, convidadas a fornecer informações sobre finanças pessoais em 2017, que formaram dois painéis de consumidores selecionados por conveniência. Os resultados indicaram que 1) o valor relatado pelos participantes foi menor que o valor efetivamente gasto, sugerindo subestimação dos gastos no momento do relato (I e II), 2) a probabilidade de relato é influenciada pela frequência dos lançamentos no cartão de crédito (I), e 3) pessoas financeiramente alfabetizadas relatam de forma mais correlacionada ao gasto (II). A aplicação da Lei da Potência de Stevens sugere que o valor relatado pode ser considerado uma estimativa do valor gasto com expoente menor que 1,0. Apesar das amostras pequenas, os resultados foram replicados entre estudos. Pesquisas futuras deveriam empregar amostras maiores e períodos de tempo mais longos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Bárbara da Silva Martins Britto, Universidade de Brasília

Mestrado em Análise do Comportamento pela Universidade de Brasília - UNB (2017), MBA em Estratégia Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (2007), graduação em Psicologia pelo Centro Universitário de Brasília (2002). Interesse por assuntos relacionados a Psicologia Comportamental, Psicologia do Trabalho e Organizacional, Pesquisas e consultoria em Psicologia.

 

Jorge Mendes de Oliveira-Castro, Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília

PhD em Experimental Psychology obtido pela Auburn University (EUA, 1989), pós-doutorado em comportamento do consumidor desenvolvido junto à Cardiff University (Reino Unido, 2002-2003 e 2006-2007), professor da Universidade de Brasília (desde 1989) e auditor de controle externo do Tribunal de Contas da União (desde 2008). 

Ariela Oliveira Holanda, Instituto Federal do Paraná

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará. Mestre e doutora em Ciências do Comportamento pela Universidade de Brasília. Professora de Psicologia do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal do Paraná, Campus Londrina.

Theo Linero dos Santos, Universidade de Brasília

Possui graduação em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário Franciscano do Paraná (2009) e Especialização em Engenharia de Negócios pela PUC-PR (2011). Em 2010, participou do curso de Introdução à Psicologia Econômica. De outubro/2012 a outubro/2014 participou do grupo de estudos sobre o mesmo assunto, com orientação da Profª Vera Rita de Mello Ferreira, em São Paulo. É planejador financeiro certificado pela Planejar desde 2014. Em 2016, iniciou o mestrado em Ciências do Comportamento na Universidade de Brasília (UnB), com ênfase em Análise do Comportamento do Consumidor. Atualmente é assessor na Unidade Captação e Investimentos do Banco do Brasil.

Referências

Alhadeff, D. A. (1982). Microeconomics and human behavior: toward a new synthesis of Economics and Psychology. Berkeley, USA: University of California Press.

Alluigi, M. L. (2013). Can we fix the errors in self-reported buying frequencies?. Master of Business Thesis, Ehrenberg-Bass Institute for Marketing Science, School of Marketing, University of South Australia, Adelaide SA, Austrália.

Azevedo, R. O. S. (2007). Cartão de crédito: aspectos contratuais. Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Cavalcanti, P. R. (2012). Diferenças individuais em padrões de compra de produtos rotineiros: uma análise econômico-comportamental. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Coelho, C., Hanna, E. S., Todorov, J. C. (2003) Magnitude, atraso e probabilidade de reforço em situações hipotéticas de risco. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 19, 269-278. Doi: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-37722003000300009.

Field, A. (2009). Descobrindo a estatística usando o SPSS. São Paulo: Artmed.

Foxall G. R. (1998). Radical behaviorist interpretation: Generating and evaluating an account of consumer behavior. The Behavior Analyst, 21(2), 321-354. Doi: https://doi.org/10.1007/bf03391971.

Foxall G. R. (2010). Interpreting consumer choice: the behavioral perspective model. New York: Routledge. Doi: https://doi.org/10.1080/0267257X.2011.558391.

Foxall G. R., James V. K. (2007). Behavior analysis of consumer brand choice: a preliminary analysis. In: The Behavioral Economics of Brand Choice. Palgrave Macmillan, London. Doi: https://doi.org/10.1057/9780230596733_3.

Foxall, G. R., Oliveira-Castro, J. M., James, V. K., Yani-de-Soriano M. M., & Sigurdsson, V. (2006). Consumer behavior analysis and social marketing: the case of environmental conservation. Behavior and Social Issues, 15, 101-124. Doi: https://doi.org/10.5210/bsi.v15i1.338.

Foxall, G. R., Oliveira-Castro, J. M., & Schrezenmaier, T. C. (2004). The behavioral economics of consumer brand choice: patterns of reinforcement and utility maximization. Behavioural Processes, 66, 3, 235-260. Doi: https://doi.org/10.1016/j.beproc.2004.03.007.

Kagel, J. H., Battalio, R. C., Green, L. (1995). Economic choice theory: an experimental analysis of animal behavior. New York, USA: Cambridge University Press.

Klapper, L.; Lusardi, A.; Oudheusden, P. V.; (2015). Financial literacy around the world: insights from the standard & poor’s ratings services global financial literacy survey. The George Washington University, GFLEC, Washington, DC. Doi: https://doi.org/10.1017/S1474747211000448.

Lloyd, K. E. (2002). A review of correspondence training: suggestions for a revival, Central Washington University. The Behavior Analyst, 25(1), 57-73. Doi: https://doi.org/10.1007/bf03392045.

Oliveira-Castro, J. M. (1989). Individual differences in estimates of performance: effects of changes in response produced cues. Doctoral thesis, Auburn University, Auburn, Alabama, USA.

Oliveira-Castro, J. M., Campos, A. P. M. (2004). Comportamento precorrente auxiliar: efeitos do número de dimensões discriminativas da tarefa. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20(2), 191-199. Doi: https://doi.org/10.1590/s0102-37722004000200012.

Oliveira-Castro, J. M., Coelho, D. S. & Oliveira-Castro, G. A. (1999). Decrease of precurrent behavior as training increases: effects of task complexity. The Psychological Record, 49, 299-325. Doi: https://doi.org/10.1007/bf03395322.

Oliveira-Castro, J. M., Faria, J. B., Dias, M. B. & Coelho, D. S. (2002). Effects of task complexity on learning to skip steps: an operant analysis. Behavioural Processes, 59(2), 101-120. Doi: https://doi.org/10.1016/S0376-6357(02)00087-6.

Oliveira-Castro, J. M., Foxall, G. R., & James, V. K. (2008). Individual differences in price responsiveness within and across food brands. Services Industries Journal, 28(6), 733-753. Doi: https://doi.org/10.1080/02642060801988605.

Oliveira-Castro, J. M., Foxall, G. R., Yani, J. & Wells, V. K. (2011). A behavioural-economic analysis of the essential value of brands. Behavioural Processes, 87(1), 106-114. Doi: https://doi.org/10.1016/j.beproc.2011.01.007.

Pinheiro, R. N. (2017). Comportamento de escolha das partes do processo judicial em audiências de conciliação. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Porto, R. B. (2009). Correspondência dizer-fazer em escolha de marcas: influência das estratégias de marketing no ponto de venda e das experiências anteriores dos consumidores. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Porto, R. B., Oliveira-Castro, J. M. (2013) Say-do correspondence in brand choice: interaction effects of past and current contingencies. The Psychological Record, 63(2), 345-362. Doi: https://doi.org/10.11133/j.tpr.2013.63.2.009.

Ramos, E. M. S. (2015). Consumo e felicidade: efeitos do valor informativo e da forma de pagamento. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Ryle, G. (1949). The concept of mind. London: Hutchinson & Co.

Santos, E. L. (2014). Do escambo à inclusão financeira: a evolução dos meios de pagamento. São Paulo: Linotipo Digital.

Schiffman, H. R. (2003). Psychophysics. In: S. F. Davis (Ed.). Handbook of research methods in experimental Psychology (cap. 20, pp. 346-364). Malden, MA: Blackwell.

Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). (2017). 4 em cada 10 não sabem quanto gastaram no cartão de crédito. Recuperado em 10 maio, 2017, de http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/4-em-cada-10-nao-sabem-quanto-gastaram-no-cartao-de-credito/

Silva, G. O., Silva, A. C. M., Vieira, P. R. C., Desiderati, M. C., Neves, M. B. E. (2017). Alfabetização financeira versus educação financeira: um estudo do comportamento de variáveis socioeconômicas e demográficas. Revista de Gestão, Finanças e Contabilidade. 7(3), 279-298.

Skinner, B. F. (1953). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes.

Skinner, B. F. (1957). Verbal behavior. New York: Appleton-Century-Crofts.

Downloads

Publicado

2018-11-02

Como Citar

Britto, B. da S. M., Oliveira-Castro, J. M. de, Holanda, A. O., & Santos, T. L. dos. (2018). Comportamento do Consumidor: Comparação entre Valor Relatado e Valor Gasto com Cartão de Crédito. Journal of Accounting, Management and Governance, 21(3), 402–419. https://doi.org/10.51341/1984-3925_2018v21n3a6

Edição

Seção

Artigos